Diferenciando os Aparelhos

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Próteses e Órteses-

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Amputação: fim ou recomeço?

"A amputação de um membro, como qualquer fato relevante que ocorra na nossa vida, é uma aventura e um desafio ao espírito.
Perder um braço ou uma perna, ou parte deles, não tem absolutamente nenhuma graça, assim como não se trata de algo charmoso, como as peripécias de um Indiana Jones no cinema. Estarmos diretamente envolvidos no fato, como protagonistas principais, tem mais a conotação de um pesadelo do qual queremos acordar rapidamente. Há várias causas que podem levar à amputação de um membro, as mais comuns são as doenças vasculares periféricas, diabetes, tumores, traumas, infecções de repetição, mal formação congênita, entre outras.
A perda de parte significativa do corpo de maneira tão evidente trás à superfície a presença desta constante companheira, quase sempre invisível ao nosso consciente, a morte. Realizamos que ela é inexorável e inevitável. Somos reconduzidos à condição humana.
Um grande problema das pessoas, que até as impede de viver de maneira mais justa, é o fato delas agirem como se fossem eternas. Decisões cruciais para a qualidade da nossa vida podem ser totalmente diferentes se tomadas com a consciência da nossa finitude. Podemos mesmo afirmar que em momentos de decisões importantes, a morte é conselheira das mais sábias. Trocando em miúdos, quando, ao tomarmos uma decisão, nos lembramos que vamos morrer um dia, aumentamos a chance dessa decisão ser mais adequada em relação à nossa vida.
Podemos perceber que, embora o nosso corpo tenha sido atingido, existe algo que o ocupa que permanece inteiro, como se o cavalo tivesse sido afetado, mas não o cavaleiro.
A função do cavalo é, segundo a vontade do cavaleiro, transportá-lo pelo mundo. Tem gente que vive somente para a aparência do cavalo, esquecendo que, embora seja interessante ele ser bonito, trata-se somente de um veículo para o seu dono. O que realmente importa no cavalo é que ele seja um bom transportador, e aí sim, o melhor possível."
Marco Antonio Guedes


Ortopedista especialista em traumatologia.  "Sofreu um acidente de moto na juventude e os graves ferimentos levaram a amputação de sua perna esquerda abaixo do joelho. O período de recuperação foi muito doloroso e cheio de dúvidas com relação ao futuro. O jovem amputado fazia faculdade de medicina e se especializou em ortopedia e traumatologia. Sua condição e sua especialização o levaram a tratar de pessoas também amputadas só que com um diferencial: o de conhecer na prática a dor, as frustrações e as necessidades de seus pacientes. É normal aparecerem pessoas dizendo ao doutor que aquele ânimo todo que ele tem e tenta passar se deve ao fato de não saber na pele o que estão passando. Por ser ele mesmo um amputado, o doutor Guedes conhece a fundo os picos de euforia (por estar vivo) seguidos de depressão de seus pacientes. O processo de reabilitação física e psicológica é duríssimo. Mas quem vê o doutor Guedes preparar sua mochila de 25 quilos para mais uma expedição de bicicleta no Canadá, ou ouve seu relato de uma aventura no Nepal, compreende que a reabilitação de um amputado é, também, empolgante."


 

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